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3/01/2011

Essa é linda e é do padrinho de minha amiga Silvia...
A enciclopédia cultural da UFAL!


Também em mim corre um rio.
De rubras, espessas águas
por frágeis dutos.
Se essas águas desistirem da viagem,
uma grande sombra descerá sobre meus olhos:
não mais manhãs,
não mais amigos,
não mais poemas.

E eu, que tanto amei a solidão e o silêncio,
terei de provar que fiz por merecê-los
- quando o rubro rio estancar sua corrente 
e este corpo for só notícia do ausente.

Sidney Wanderley
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Facebook SIlvia Marinho Rodrigues Lima

Nasce-se

Nasce-se
e ignora-se quanto a estrada
estira
Só se sabe que
de vinte e quatro
em vinte e quatro horas
o tempo lhe rói um dia
- e o vivente nem sonha
que saldo fica

A essa aritmética
dá-se o nome de vida

Jorge Cooper

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Facebook Silvia Marinha Rodrigues Lima

Um Fio

Entre átomo e molécula,
entre caverna e choça.
entre maloca e aldeia,
entre vila e cidade,

um fio nos une e separa
- sem cor, sem corpo, sem aura -,
um fio que não sabemos,
como Agostinho, o que seja,

mas, sobretudo, que é,
que é, que foi, que será
lá, quando ainda não éramos,
lá, onde não mais seremos;

e neste átimo em que somos,
sequer sabemos dezê-lo:
os doutos tratam-no pot T;
nós outros, leigos, por tempo.

Sidney Wanderley

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Facebook Silvia Marinho Rodrigues Lima

Fome

Quando à minha frente
após três dias de absoluto jejum
puseram o prato (de esmalte então opaco
pelo calor)
- sequer nem o cuscuz de milho verde
enxerguei
Apenas vi
um grande girassol fechado
Ainda não flor

- Não só a sede 
faz o homem ver fantástico

Jorge Cooper